Minhas pernas dormiram. As duas juntas e de um jeito assustador, enquanto lia o texto da D.S no laptop sentada fazendo xixi.
Minha cabeça poderia dormir. Não consigo. Estou quase desmaiando de sono mas não durmo. Caio acordada e leio o texto da D.S procurando dar uma resposta, já que minutos antes aquela ânsia de escrever me percorria o corpo de um jeito que a tempos não acontecia.
Ando muito preocupada. Com o que vai ser de mim. Sempre fui agoniada com o que sou, hoje em dia acho que já me conformei com as paranóias, pirações e crises sobre o universo e o outro e o eu e a vida e a morte e o depois e enfim…
Penso nisso todo dia. Questões existencias básicas, implantadas em todo DNA de qualquer ser humano existente no planeta. Essas questões não me deixam dormir. É todo dia uma agonia. Nostalgia. Sinto que sou uma velha de 96 anos olhando para minhas amigas e já sentindo falta dos nossos encontros quando virarmos poeira. Sinto que sou uma imbecil imatura de 5 anos que sempre vai ser uma criança que precisaria de mais 400 anos na Terra para crescer e realizar tudo o que precisa.
Sinto que sou pura ambição e energia e vontade de viver idiotamente sem culpa de ser feliz gritando e cantando e falando peido e rindo das palavras mais boboas e das piadas mais bobas porque seilá porque porra.
Eu sou um bloco de gosma e pus e ossos e banha e carne e sangue e água e qualquer outros tipos de substâncias à la pure de batatas da vovó. E essa gosma toda tem capacidade de refletir sobre si mesma e se auto-definir gosma.
Puta que o pariu, eu sou uma gosma com crises existenciais que sabe até fazer regra de três.
Eu não sei mais o que dizer. Eu preciso acordar quinze pras seis pra começar a decidir mais um dia o que vai ser de mim. Preciso ligar pro João, meu psicanalista e fa;ar todas essas merdas pra ele. Roubaram meu celular e eu não ligo pra ele desde junho. O combinado era voltar em julho, na última semana, mas me deu preguiça de achar o número dele perdido em algum cartão em alguma gaveta bagunçada do meu quarto, então eu decidi que eu ia ligar assim que desse. O que pode ser nunca mais.
Acho que eu estou com medo de encontrá-lo e ter que contra tudo. Tudo que me aconteceu e tudo o que eu senti e o que eu pensei e o que eu refleti. Tudo sobre MIM, sobre EU, sobre MEU, sobre meu umbigo. Dá medo de me mostrar e contra tudo o que estou falando aqui. Se bem que, agora que já falei, posso ligar pro João. Por onde começarei???
Ah! “Minhas pernas dormiram”.

Nenhum comentário:
Postar um comentário